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Confúcio vê sucesso da Comissão da Covid-19 no primeiro semestre

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Foram 35 reuniões, com participações de ministros e especialistas, fiscalizando o plano nacional de vacinação contra o coronavírus e definindo ações como a inclusão imediata das grávidas e lactantes no grupo prioritário de imunização. O presidente da Comissão Temporária da Covid-19, senador Confúcio Moura (MDB-RO), considera que o colegiado encerrou com sucesso o primeiro semestre de 2021. E vê com otimismo a atuação do grupo parlamentar até o fim dos trabalhos, previsto para novembro. 

Na opinião do senador, um dos destaques da comissão temporária foi a aprovação do Projeto de Lei (PL) 1.343/2021, que autoriza fábricas de produtos de uso veterinário a produzirem vacinas contra o coronavírus. De autoria do relator da Comissão Temporária da Covid-19, senador Wellington Fagundes (PL-MT), o texto foi aprovado pelo Congresso Nacional em junho e transformado na Lei 14.187/2021 em julho.

Confúcio afirma que o colegiado esteve presente “em todas as angústias do povo brasileiro”, atuando pelo fornecimento de respiradores e do chamado “kit intubação”, que estavam faltando, e pela ampliação de leitos de UTI.

— Estivemos sempre em cima, com ministros presentes, dando satisfações sobre temas que vão desde o andamento da doença, passando pela vacinação, até a situação do crescimento econômico do país — disse Confúcio em entrevista à Agência Senado.

Também em entrevista à agência, a senadora Zenaide Maia (Pros-RN) destacou a relevância dos trabalhos. Para ela, a atuação do colegiado foi fundamental principalmente em relação à aquisição de vacinas contra a covid-19 pelo Brasil. 

Já a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) pontuou o apoio da comissão temporária ao PL 2.180/2021, de autoria dela, que institui o Fundo de Amparo aos Órfãos da Covid-19 (Facovid). A iniciativa garante auxílio financeiro aos menores de 18 anos de idade que perderam um dos pais em decorrência da pandemia e cuja família remanescente não tem condições de prover o sustento dos mesmos.

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“É importante destacar que as crianças e os adolescentes devem ter prioridade no Orçamento. É urgente buscarmos recursos  para garantir o futuro dessas vítimas da tragédia”, ressaltou Eliziane ao defender a aprovação da matéria, que já está tramitando no Senado.

Audiências

Desde que foi instituída, em fevereiro, a comissão temporária ouviu ministros como o da Economia, Paulo Guedes, o da Saúde, Marcelo Queiroga, e o da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, além de secretários dessas pastas e especialistas nas áreas social e de saúde. Os senadores acompanharam e fiscalizaram as ações do governo para conter o avanço da pandemia e também tiveram como alvo assegurar a distribuição universal e justa das vacinas em todas as regiões do país. 

Os parlamentares cobraram de Paulo Guedes a atenção aos mais atingidos pela pandemia e questionaram o ministro sobre a redução do orçamento da saúde desde a implantação do teto de gastos, pela Emenda Constitucional 95, de 2016. Outra preocupação da comissão foi com o impacto social do pós-pandemia.

Já do ministro Queiroga, o colegiado cobrou o cronograma detalhado da vacinação dos brasileiros. Os senadores receberam dele a previsão de que, até setembro, toda a população acima de 18 anos terá recebido a primeira dose de vacina e, até o fim do ano, as duas doses. 

Integrante da comissão temporária e médica por formação, Zenaide Maia disse esperar que a promessa e o cronograma de Queiroga se cumpram, “embora ache quase impossível tudo se concretizar, no ritmo em que estamos”.

Destaques

Em maio, a comissão temporária aprovou requerimento para a inclusão imediata das grávidas e lactantes no grupo prioritário de vacinação nacional contra a covid-19. O mesmo pedido previu a inserção das gestantes em campanhas publicitárias sobre cuidados preventivos e temas relacionados à vacinação.

Também em maio, Confúcio Moura assumiu com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, o compromisso de atuar para incrementar o orçamento da pasta a partir de 2022. Em audiência pública do colegiado sobre o tema, o vice-presidente do colegiado, Styvenson Valentim (Podemos-RN), lembrou que o país investe hoje apenas cerca de 1% do PIB nesta área. Já o relator da comissão, Wellington Fagundes, ressaltou que o reservado para a pasta em 2021 atingiu o nível histórico mais baixo. Ele disse ter “dificuldade em entender a queda sistemática no orçamento do ministério”.

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Em outro debate, desta vez com a presença do ministro da Educação, Milton Ribeiro, em 1º de julho, Styvenson Valentim cobrou a apresentação de um plano estruturado, visando recuperar o atraso educacional que o Brasil sofre desde o início da pandemia. O parlamentar também criticou o fato de o governo não ter estabelecido uma estratégia de uso de todo o sistema estatal e público de televisão para dar aulas para dezenas de milhões de estudantes, incluindo a grande parcela de alunos sem acesso à internet. 

Um balanço das atividades da comissão temporária é apresentado ao Plenário do Senado a cada semana. Essa prestação de contas foi proposta pelo presidente Confúcio Moura, que considerou ser o assunto do Brasil hoje “vacina, morte e contaminação pelo coronavírus”.

Prorrogação

Instalada em 3 de março, a Comissão Temporária da Covid-19 funcionaria até 30 de junho, mas teve seu prazo de funcionamento prorrogado e agora vai até 10 de novembro. A última reunião do colegiado ocorreu em 9 de julho, quando os senadores discutiram a política ambiental brasileira. Na ocasião, os debatedores chamaram a atenção para a crise no meio ambiente como fator de disseminação e agravamento de doenças infecciosas. Eles avaliaram que o aumento do desmatamento, por exemplo, dificulta a recuperação da economia do país no período pós-pandemia. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Comissão aprova proposta sobre ações contraterroristas

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Reprodução/TV Câmara
Deputado Sanderson, relator do projeto de lei

Mesmo diante de longa obstrução dos partidos de oposição, a comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quinta-feira (16), a proposta de ações contraterroristas (PL 1595/19). Foram 22 votos a favor e 7 contrários. A proposta seguirá para análise no Plenário da Câmara.

Ao todo, a discussão e a votação do texto-base e dos destaques duraram 8 horas e meia, encerrando-se no início da madrugada dessa sexta-feira (17).

Para facilitar a aprovação, o relator, deputado Sanderson (PSL-RS), apresentou 23 novas alterações ao substitutivo divulgado no início da semana. Algumas mudanças são apenas de redação, outras de conteúdo, como a retirada da previsão de um tipo penal para punir a insubordinação de agentes de segurança pública.

Foram rejeitadas as dez tentativas da oposição de alterar o texto-base por meio de destaques.

Sanderson garantiu que, na essência, a proposta apenas permite a ação integrada de unidades militares, policiais e de inteligência na prevenção e no combate ao terrorismo no Brasil. O relator também rebateu a principal crítica da oposição, quanto aos riscos do texto para os movimentos sociais e a democracia.

“Em nenhum momento, o projeto traz criminalização de movimentos sociais ou qualquer tipo de ataque ou risco à democracia. Nós retiramos o artigo que estabelecia um tipo penal para insubordinação [de agentes de segurança] e, com isso, o projeto não traz nenhum dispositivo penal como também não há nenhum dispositivo processual penal”, afirmou Sanderson.

“São comandos administrativos que criam o Sistema Nacional Contraterrorista, de modo que as agências de inteligência, as agências policiais e as Forças Armadas tenham condições de se anteciparem na localização de possíveis células terroristas”, explicou.

Outro ajuste do relator Sanderson foi a previsão de que os recursos alocados pelo governo para a implementação da Política Nacional Contraterrorista não serão remanejados do orçamento das Forças Armadas.

A proposta original é do deputado Vitor Hugo (PSL-GO), que aproveitou o conteúdo de um projeto apresentado pelo então deputado Jair Bolsonaro e arquivado em 2019 (PL 5825/16).

O texto cria o Sistema Nacional (SNC) e a Política Nacional Contraterrorista (PNC), sob supervisão do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Há previsão de treinamento e qualificação de profissionais de segurança pública e da inteligência para ações preventivas e repressivas, “sigilosas ou ostensivas”, para desarticular ou enfrentar grupos terroristas.

O relator já havia acatado a sugestão de mudança da Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/11) para permitir que as autoridades responsáveis pela execução de ações contraterroristas tenham acesso irrestrito às informações de infraestrutura e a informações classificadas como sigilosas.

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Divergências
A discussão da proposta foi marcada por grande divergência entre parlamentares governistas e da oposição. A líder do Psol, deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), avalia que o texto é inconstitucional e cria uma “polícia paralela” para conter o Movimento dos Sem Terra (MST) e outros grupos já classificados de “terroristas” pelo próprio presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores.

“Pegar uma ideia ampla e aberta do que é terrorismo é abrir brecha, sim, para criminalizar quem luta pela terra e quem luta por direitos trabalhistas, para criminalizar quem quer reforma urbana e reforma agrária. O que se quer aqui é criar uma polícia paralela a serviço de Bolsonaro e de sua ânsia golpista e antidemocrática”, disse a deputada.

O líder da oposição, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), argumentou que uma lei em vigor desde a Olimpíada de 2016 (Lei 13.260/16) já dá os instrumentos para o Brasil enfrentar o terrorismo internacional, definido como uma série de atos “cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado” que exponha pessoas, patrimônios e paz pública a perigo.

Segundo Molon, a atual proposta governista coloca em risco vários direitos fundamentais. “Atos terroristas não são um problema brasileiro. Esse projeto de lei busca alargar, além dos limites legais, o conceito de atos terroristas. As manifestações constituídas pela sociedade civil, a despeito de toda a proteção constitucional à associação e à manifestação do pensamento, ficam ameaçadas e podem eventualmente ser alvo dessas ações falsamente chamadas de contraterroristas. Temos as liberdades de expressão, de reunião e de associação colocadas em grave risco por esse projeto”, alertou.

A oposição ainda citou as manifestações do Ministério Público, do Alto Comissariado de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Democracia e até mesmo de entidades policiais contrárias à proposta.

Outro risco apontado é quanto ao possível aumento das hipóteses de excludente de ilicitude para ações contraterroristas, que, para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), seria uma “licença para matar”.

Cinco deputados da oposição chegaram a apresentar votos em separado como possíveis alternativas ao relatório de Sanderson. Paulo Teixeira, Fernanda Melchionna (Psol-RS), Orlando Silva (PCdoB-SP) e Perpétua Almeida (PCdoB-AC) pediram a rejeição do projeto original, enquanto Subtenente Gonzaga (PDT-MG) sugeriu um novo substitutivo menos polêmico.

Perpétua Almeida disse que o projeto de lei “atende o interesse exclusivo do presidente Bolsonaro de ter a sua própria polícia”. “O Brasil já tem Abin [Agência Brasileira de Inteligência], Forças Armadas, Polícia Federal e polícias militares, todas com real poder de investigar e punir alguém que estiver com ato terrorista no País”, declarou.

A oposição aposta que o projeto de lei será derrotado nas votações no Plenário da Câmara ou no Senado.

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Defesa do projeto
Em defesa da proposta de ações contraterroristas, o vice-líder do governo deputado Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM) citou a necessidade de o País se prevenir da ocorrência de atentados, como o ocorrido nos Estados Unidos há 20 anos.

“O projeto não trata de manifestações, mas de integrar a inteligência do nosso país para que não aconteça um 11 de setembro. Não tem nada a ver com manifestações nem questões antidemocráticas. É um projeto que vem trabalhar em relação à segurança nacional”, disse o parlamentar.

Vice líder do Novo, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) também manifestou apoio ao projeto de lei, mas chegou a pedir mais tempo para o amadurecimento do texto. “Sobre a confusão entre movimentos sociais e movimentos marginais, como o MST: não é disso que efetivamente se trata. Aqui há uma tipificação muito clara do terrorismo em si. As ações contraterroristas são necessárias, no entanto, achamos que essa matéria ainda pode ser mais bem debatida, já que há muitas incompreensões sobre o tema. É importante que possamos votar de forma mais pacificada e amena”, afirmou.

Autor da proposta, o deputado Vitor Hugo rebateu argumentos de que há entidades de segurança pública contrárias ao texto. “As manifestações iniciais de várias entidades foram mudando ao longo do tempo porque Sanderson aperfeiçoou a proposta, e é importante que a gente aprove o texto”, ressaltou.

A reunião desta quinta-feira foi coordenada pelo presidente da comissão, deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES).

Outros pontos
A proposta aprovada pela comissão não exclui a atribuição da Abin para a execução das atividades de prevenção e acompanhamento estratégico do terrorismo, por meio da coleta e da busca de dados de inteligência e da produção de conhecimento.

Segundo o texto, o Legislativo será responsável pelo controle e fiscalização das ações contraterroristas. O órgão de controle externo do Congresso será integrado pelos líderes da Maioria e da Minoria na Câmara e no Senado; pelos presidentes das comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara; e pelos presidentes das comissões correspondentes do Senado.

Estão previstas as criações da Autoridade Nacional Contraterrorista, responsável por conduzir a política nacional junto às autoridades militar e policial, e de duas “unidades estratégicas”: o Comando Conjunto de Operações Especiais, comandado por um oficial-general das Forças Armadas, e o Grupo Nacional de Operações Especiais.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Pierre Triboli

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