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Tropas ucranianas avançam até fronteira com a Rússia em contra-ataque

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Tropas ucranianas atirando contra as russas
Reprodução / Twitter 11.05.2022

Tropas ucranianas atirando contra as russas

As tropas ucranianas que defendem Kharkiv, segunda maior cidade do país, retomaram terreno e avançaram até à fronteira do estado com a Rússia , relatam autoridades ucranianas.

O governador da região de Kharkiv, Oleh Sinegubov, escreveu no Telegram que as tropas do 227º Batalhão da Ucrânia restauraram um marco fronteiriço no limite do estado.

“Agradecemos a todos que, arriscando suas vidas, libertam a Ucrânia dos invasores russos”, disse Sinegubov.

O assessor do Ministério do Interior ucraniano Vadym Denisenko disse em comentários televisionados que os contra-ataques perto de Kharkiv “não podem mais ser parados”:

“Graças a eles, podemos ir para a retaguarda do grupo de forças russas”, disse.

Os comentários ucranianos não puderam ser verificados de forma independente, mas vídeos publicados por soldados ucranianos corroboram os informes. A informação circula como rumor há alguns dias.

Segundo analistas militares, as forças russas que tentaram cercar Kharkiv, a apenas 25 quilômetros da fronteira, encontram-se em retirada, e devem encerrar sua tentativa de sitiar a cidade nos próximos dias .

A retomada de terreno aponta que a Ucrânia tem obtido sucesso crescente em repelir o ataque no Leste, após sair vitoriosa na campanha no Norte, onde fica a capital Kiev.

A vitória ucraniana na região de Kharkiv ameaça cortar uma linha de suprimento que abastece as tropas russas em Izyum, a 120 quilômetros a sudeste dali. A ofensiva perto da cidade tem diminuído de intensidade. A Rússia pretendia lançar uma ofensiva a partir de Izyum rumo a Luhansk, no Sul, com o objetivo de cercar tropas ucranianas.

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“Embora as forças russas no Leste sejam mais fortes do que as enfrentadas no Borte e Nordeste, qualquer interferência em suas linhas de abastecimento terá um impacto significativo nas operações de combate russas no eixo de avanço de Izium”, disse o general aposentado australiano Mick Ryan, hoje ligado ao Instituto da Guerra Moderna da Academia de West Point.

No fim de semana, agências militares ocidentais disseram que a ofensiva de Moscou na região de Donbass estagnou. Há diversos indícios de que as forças invasoras estão com séria escassez de contingente.

Em seu boletim de inteligência no domingo, o Ministério da Defesa do Reino Unido informou que calcula que cerca de um terço das forças russas que participam da invasão à Ucrânia está fora de combate. No mês passado, esse percentual estava em 25%.

No domingo à noite, em um comunicado, Estado-Maior ucraniano dusse que, em algumas áreas, o efetivo russo é inferior a 20% de seu tamanho inicial. De acordo com o mesmo órgão, aproximadamente 2.500 reservistas russos estão treinando nos oblasts de Belgorod, Voronezh e Rostov para reforçar as operações ofensivas.

Serhiy Gaidai, governador da região de Luhansk, no Donbass, disse que os líderes da autoproclamada República Popular de Lugansk, território controlado por separatistas apoiados pela Rússia, declararam uma mobilização geral, acrescentando que, para os cidadãos homens aptos a combate, há uma ordem para lutar ou levar um tiro, não há outra escolha”.

Gaidai disse que a situação “continua difícil”, com as forças russas tentando cercar a cidade de Sieverodonetsk.

Diante da falta de braços e equipamentos, há especulação de que Vladimir Putin, que continua a considerar a guerra uma “operação militar especial”, vá declarar algum tipo de mobilização, para poder alistar contingente maior com mais facilidade.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse no domingo que a ofensiva da Rússia em Donbas parou e a Ucrânia pode vencer a guerra, um resultado que poucos analistas militares previram no começo da invasão em 24 de fevereiro.

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Fonte: IG Mundo

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Quem é Boris Johnson, que renunciou no Reino Unido após polêmicas

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Boris Johnson renunciou ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido nesta quinta-feira (7)
Reprodução / CNN Portugal – 11.04.2022

Boris Johnson renunciou ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido nesta quinta-feira (7)

Carismático e controverso, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se destacou por seu talento para escapar de crises, que lhe valeu o maldoso apelido de “leitão escorregadio”.

Desta vez, a rebelião no Partido Conservador foi forte demais, e, nesta quinta-feira, ele anunciou que renunciará à liderança partidária, apesar de pretender continuar no cargo de premier até o outono, daqui a três meses. É sua última tentativa de resistir de pé a uma onda negativa que vem crescendo desde o início do ano, com uma sucessão de escândalos.

O Partido Conservador conquistou “sua maior vitória eleitoral em 40 anos sob minha liderança e, se não creem que possamos recuperar nossa posição atual e vencer de novo, é porque não olharam direito para minha história”, disse no início de junho durante um voto de desconfiança no partido, do qual saiu vitorioso, mas enfraquecido.

Um mês depois, no entanto, ele acumula outros dois reveses em eleições suplementares para o Parlamento e um novo escândalo, por nomear o conservador Chris Pincher para um importante cargo parlamentar, depois de afirmar ter “esquecido” as acusações contra o político por apalpar impropriamente vários homens.

Isso aumentou a sensação de que Boris esconde a verdade, depois de ter negado há alguns meses o “partygate”, escândalo de festas celebradas na sede do governo, em Downing Street 10, durante as quarentenas, o que minou a popularidade que o levou ao poder.

Em 2019, graças à promessa de concretizar o Brexit após anos de bloqueio político, o ex-jornalista de 58 anos, que havia sido um dos líderes da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia, obteve para o Partido Conservador uma ampla maioria no Parlamento.

O político de cabelo bagunçado cumpriu assim seu sonho de vida, ser nomeado primeiro-ministro, depois de desejar durante a infância virar o “rei do mundo”, de acordo com sua irmã Rachel.

Só acredita em si mesmo


O ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson
Reprodução/Flickr – 24.12.2020

O ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson

 Alexander Boris de Pfeffel Johnson nasceu em 1964 em Nova York, no seio de uma família de políticos, jornalistas e celebridades midiáticas. Um de seu bisavôs era turco e foi ministro do Império Otomano.

É algo que sempre recorda quando é acusado de islamofobia, como quando comparou as mulheres que usam burca com caixas de correio, em declarações que geraram também acusações de misoginia.

“O único em que Boris Johnson acredita é Boris Johnson”, declarou à AFP Pascal Lamy, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), que conhece sua família desde que Boris era garoto e estudava na Escola Europeia de Bruxelas, onde seu pai foi eurodeputado.

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Isso, segundo alguns, é demonstrado pelo inusitado exercício que realizou para decidir sua posição sobre o Brexit: enquanto era colunista do jornal conservador Daily Telegraph, escreveu um artigo anunciando apoio à permanência na União Europeia e outro defendendo o contrário.

“O que ele faz é captar a vibração do momento, do dia, e entender em que direção deve seguir”, disse Ray Lewis, ex-conselheiro de Johnson na prefeitura londrina, ao New York Times, em 2019.

Assim, alimentou a impressão de que este grande admirador de Winston Churchill – sobre quem escreveu uma biografia – baseou sua decisão em um cálculo político.

Mentiras e exageros

Seguindo o roteiro clássico das elites britânicas, estudou nos prestigiosos Eton College e Universidade de Oxford. Em 1987, começou uma carreira de jornalista no The Times, que o demitiu um ano depois por inventar declarações. Entre 1989 e 1994, foi correspondente do Telegraph em Bruxelas, onde escreveu artigos que ridicularizavam as regulamentações europeias.

“Não inventava as histórias, mas sempre caía no exagero”, lembra Christian Spillmann, jornalista da AFP em Bruxelas naquela época.

Eleito para o Parlamento do Reino Unido em 2001, perdeu um posto na cúpula conservadora três anos depois por mentir sobre um caso extraconjugal. Um dos vários escândalos pessoais de um político que não diz quantos filhos tem, além dos sete reconhecidos. Por sua capacidade de escapar de problemas, ganhou do ex-premier David Cameron o apelido de “leitão escorregadio”.

Divorciado duas vezes, ele agora vive em Downing Street com sua terceira esposa, Carrie, de 34 anos, e os filhos do casal, Wilfred, de dois anos, e Romy, de seis meses. Adquiriu status de estrela após ser eleito prefeito de Londres em 2008, com a promessa de acabar com o crime e de realizar projetos para melhorar a capital britânica.

Contudo, alguns de seus planos não ficaram conhecidos por terem sido bem sucedidos, mas sim por terem sido autênticos fiascos, que custaram milhões de libras mesmo sem sair do papel. Foi o caso de uma proposta para construir um novo aeroporto na foz do Rio Tâmisa, em uma ilha artificial — mais tarde, especialistas afirmaram que a ideia era inviável.

O destino foi similar ao de um projeto para a construção de uma “ponte jardim” sobre o rio, que custou £ 50 milhões aos cofres públicos sem que um tijolo fosse instalado. Um plano para modificar os modelos de ônibus urbanos na cidade também foi duramente criticado, em uma iniciativa estimada em £ 300 milhões. “Ele gostava de tomar decisões sozinho em coisas assim, e estava mais do que feliz em blefar ou mentir”,  disse Jenny Jones, membro da Assembleia de Londres pelo Partido Verde na época, em entrevista ao New York Times, em 2019.

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Apesar do sucesso nos Jogos Olímpicos de 2012, algumas das obras causaram estragos aos cofres públicos depois do apagamento da tocha: foi o caso do Estádio Olímpico, uma obra que custou £ 486 milhões para ser construída, mas que precisou de mais £ 323 milhões para ser convertida em um estádio de futebol.

A revelação sobre os gastos com a reforma só foi feita em 2017, por seu sucessor, Sadiq Khan — em resposta, Boris culpou seu antecessor trabalhista, Ken Livingstone, pelo que chamou de “escolhas erradas” no projeto inicial.

Após deixar a prefeitura, foi nomeado ministro de Relações Exteriores por Theresa May em julho de 2016 e foi acusado de ter cometido graves erros diplomáticos.

De certa forma, também enfrentava um desgaste junto aos países da União Europeia por sua defesa ardente do Brexit — pouco antes de sua primeira participação em uma reunião de chanceleres em Bruxelas, em 2016, ouviu do então chefe da diplomacia francesa, Jean-Marc Ayrault, que “ele havia mentido muito” na campanha pela saída do pais do bloco.

Em uma declaração que não lhe rendeu amigos em Moscou, comparou a Copa do Mundo de 2018, realizada na Rússia, aos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, usados por Adolf Hitler para promover o nazismo.

Já como primeiro-ministro, foi duramente criticado por sua errática gestão da pandemia, mas conseguiu se redimir graças à campanha de vacinação de sucesso. Ao ser acusado de ter permitido festas com excesso de álcool entre seus colaboradores durante os confinamentos, ele primeiro negou e depois justificou o ocorrido com a afirmação que eram “eventos de trabalho”, o que rendeu a acusação de mentir.

O governo não tem integridade, disse na terça-feira o ministro da Saúde, Sajid Javid, um dos dois pesos pesados que renunciaram ao lado de outros integrantes do Executivo por divergências sobre seu comportamento.

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Fonte: IG Mundo

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