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Especialistas dissecam o nitrato de amônio

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A Embrapa e a Yara promoveram em conjunto, no dia 06 de agosto, no canal do YouTube da Embrapa, mais uma edição do Papo na Quarentena. Desta vez, a live debateu o uso do nitrato de amônio na agricultura. Participaram do debate Daniel Vidal Pérez, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ), José Carlos Polidoro, pesquisador e especialista em fertilizantes da mesma instituição, e Cleiton Vargas, vice-presidente de vendas e marketing da Yara Brasil, com mediação de Fabrício de Martino. A explosão no Líbano, nesta semana, tem sido relacionada a um armazém onde estavam guardadas 2.750 toneladas de nitrato de amônio, produto usado na produção de fertilizantes. Vale lembrar que o Brasil tem um mercado de 36 milhões de toneladas de fertilizantes.

Polidoro abriu os trabalhos com um breve histórico. “Em 1918 Fritz Haber, inventor da síntese de amônia ganhou o Prêmio Nobel de Química. Se fosse hoje, ganharia o da Paz, porque esse invento gerou todos os fertilizantes nitrogenados do mundo. E essa criação é responsável por alimentar 40% da população brasileira. Logo depois, ele se associou a Carl Bosch, outro Prêmio Nobel de Química, que desenvolveu a produção industrial dessa substância”.

O nitrato de amônio é feito por uma mistura do gás amônia com o ácido nítrico, aí faz-se a solução do nitrato de amônio. A produção mundial total é de 48 milhões de toneladas. “A partir daí divide-se em diferentes produtos finais, em formato de bolinha, nitrato de amônio e cálcio, nitrato de cálcio, nitrocálcio…”, revela Cleiton

Vale lembrar que existem quatro tipos principais de fertilizantes, e o Brasil é um grande importador: a ureia, o mais consumido no mundo, o sulfato de amônia, o nitrato de cálcio e o já mencionado nitrato de amônio. Esses dois últimos afetam a qualidade sensorial de produtos que consumimos in natura, como frutas e legumes. No Brasil, temos um controle muito forte do movimento desses insumos, não só pela Capitânia dos Portos, mas também pela fiscalização em terra feita pelo Exército. Esses produtos são rigorosamente mapeados. “O Brasil possui um padrão muito rígido de segurança”, afirma o VP da Yara.

Para Daniel, o acidente, que ainda assombra o mundo, se deve, basicamente ao não seguimento das regras de manuseio da substância como o nitrato. “Ele provoca uma forte reação química quando mal utilizado. Para chegar ao cenário de Beirute é necessária uma fonte de calor que leve a temperatura a mais de 200 graus Celsius. Ali, infelizmente, foi um exemplo de tudo que não deve ser feito”. A chance de um acidente como este acontecer no Brasil é infinitamente menor. O nitrato de amônio não explode sozinho, é possível manuseá-lo sem medo, mas com cuidado. Já Polidoro acredita que houve erro humano na explosão. “Quando alguém se deliciar com uma tangerina ponkan bem suculenta pode ficar tranquilo, existe nitrato de amônio ali”, brincou o pesquisador.

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Cleiton ressaltou ainda que se ficarmos um ano sem produzir fertilizantes metade da população mundial fica sem comida. “Esse insumo produz um papel fundamental para alimentar uma população mundial em constante crescimento”. 

A importância da análise de solo

Algo que ainda precisa melhorar no Brasil, até para racionalizar o consumo de fertilizantes, é o acesso à análise de fertilidade do solo. “Por analogia, a análise de solo é como um exame de sangue, diz o chefe de P&D da Embrapa. “É necessário saber quais nutrientes estão faltando na terra para colocá-los adequadamente, não é algo que sai da cabeça do nada. A análise de solo é fundamental para determinar os níveis de utilização de corretivos e adubo”. São muito importantes a experimentação e a pesquisa básica, principalmente nas fronteiras agrícolas onde temos novos solos, com novas características que precisam ser bem estudados. “Temos até histórico de uso de tabela de adubação de um estado em outro, o que causa uma série de problemas, como supersaturação de alguns elementos. É fundamental usar a recomendação correta de adubo com base na análise da terra. Afinal, segurança alimentar é segurança nacional. Agro é paz”

Dados da Yara mostram que, mesmo com a eventual ausência da análise de solo, o agricultor brasileiro tem procurado adotar tecnologia e escuta a ciência. O volume de fertilizantes especiais comercializado pela empresa cresce a taxa de dois dígitos há muitos anos, o produtor busca a última novidade para plantar cada vez melhor. A manipulação das culturas do café e da soja no Brasil são exemplos de tecnologia para outros países

Fertilizante não é agrotóxico

Agrotóxicos e fertilizantes têm regulações e funções diferentes. “O agrotóxico é usado para controlar doenças e pragas nas plantas, já os fertilizantes fornecem nutrientes para elas. O defensivo, quando usado erradamente causa problemas, e olha que o Brasil possui uma das regulações mais rígidas no controle de agrotóxicos. Não adianta alguém com conhecimento raso do tema fazer essa falsa relação para simplesmente proteger nichos de mercado. Ainda temos problemas, mas cabe a nós mesmos resolvê-los. Problemas como a importação de dois terços dos fertilizantes que consumimos, o sistema regulatório e a necessidade de melhorar nossas indústrias. Mas temos planos unindo os setores público e privado para melhorar”, enfatizou Polidoro.

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Efeito colateral

Um efeito colateral da explosão foi a destruição do maior silo de estoque de trigo do Líbano, deixando o país com mais ou menos um mês de abastecimento. E isso ocorre simultaneamente com outros problemas, principalmente com a questão da COVID que tem restringido as exportações de alimentos de alguns países, como é o caso da Rússia, que é o maior exportador desse cereal para o mundo e, notadamente, o Oriente Médio.

O Líbano tem passado por problemas econômicos que serão agravados com essa situação.  O aumento do preço de bens alimentícios foi o estopim das principais revoltas que, mais tarde, foram reconhecidas como a Primavera Árabe.

“Outro ponto diz respeito à importância dos portos na cadeia de alimentos. Não só no trânsito do produto, propriamente dito, mas dos insumos. No caso do Líbano, o segundo porto, de Trípoli, não tem capacidade de estocagem de grãos. O Silo de grãos mais próximo fica a 2 quilômetros. Toda uma logística terá de ser montada”, alerta Pérez 

É interessante, também, mostrar que, no Brasil, apesar de termos mais de 235 instalações portuárias, nossos três principais portos de movimentação de fertilizantes são Paranaguá, Rio Grande e Santos, representando, aproximadamente, 64% de todo tráfego. E também são nossos portos de maior movimento de cargas, inclusive grãos e alimentos. Importamos aproximadamente 1,2 milhão toneladas de nitrato de amônio, sendo que 96% vem da Rússia.

Um pouco de arte

Nas lives promovidas pela Embrapa Solos procuramos trazer também um pouco de arte, Confira abaixo o mapa mental, elaborado pela artista plástica Milena Pagliacci. Já a ilustração da matéria é do designer gráfico Dudu Rosa.

Fonte: Embrapa

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CNA debate redução de custos cartorários em operações de crédito rural

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Brasília (22/09/2020) – A Comissão Nacional de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu virtualmente, na segunda (21), para discutir a necessidade de reduzir os custos de registros em cartório de garantias vinculadas às operações de crédito rural.

A redução dos emolumentos cartorários e o fim da cobrança como percentual do valor de financiamento tomado pelo produtor rural são demandas defendidas pela CNA há vários anos. A entidade também defende aprimoramentos para padronizar e acelerar a formalização dos atos de registro das operações, além do uso de novas tecnologias e a interação entre os cartórios.

Desde a publicação da Lei 13.986/2020, já não há necessidade do registro das cédulas de crédito rural e de produto rural em cartórios. No entanto, o registro de garantias, inclusive penhor de safra, ainda precisa ser feito nesses estabelecimentos.

Na reunião, o vice-presidente da CNA e presidente da Comissão, deputado José Mário Schreiner, destacou que apesar de todos os esforços da Câmara dos Deputados para o estabelecimento de um teto monetário para esse registro em todos os estados, a medida não foi apreciada em tempo pelo Senado Federal, na MP 958/2020.

Em agosto deste ano, Schreiner apresentou o Projeto de Lei (PL) 4334/20, que estabelece um teto nacional para a cobrança de taxas para o registro de garantias vinculadas às operações de financiamento rural no valor de R$ 250,00.

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“Essa proposta estava inserida na MP 958, mas como ela não foi apreciada em tempo pelo Senado Federal e perdeu a validade, trouxemos novamente para a pauta. Neste momento estamos trabalhando para que a projeto tramite no plenário em regime de urgência”, disse o deputado.

O assessor jurídico da CNA, Rodrigo Kaufmann, afirmou que um dos objetivos do teto de gastos é a padronização na cobrança desses serviços cartorários. “Convivemos com valores muito acima do que o necessário. Os serviços prestados pelos cartórios têm impacto direto no desenvolvimento da atividade agropecuária brasileira que, para viabilizar suas linhas de crédito rural, precisa registrar títulos, contratos e garantias, até mais de uma vez por ano”, explicou.

No encontro, o secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Ângelo Mazzillo, citou algumas propostas de alterações legislativas que tratam de regras para o acesso ao crédito rural. “A ideia é simplificar, deixar o processo mais fluido”.

A assessora técnica da Nacional de Política Agrícola da CNA, Fernanda Schwantes, falou sobre a regulamentação da Lei 13.986/2020 para escrituração e registro de Cédula de Produto Rural (CPR).

Segundo Schwantes, a Lei prevê que as CPRs emitidas a partir de 1º de janeiro de 2021, bem como seus aditamentos, deverão ser registradas ou depositadas em entidade autorizada pelo Banco Central a exercer atividade de registro ou de depósito centralizado de ativos financeiros ou de valores mobiliários, para ter validade e eficácia.

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Venda casada – Durante a reunião, a assessora técnica da CNA, Gabriela Coser, fez uma apresentação sobre as ações da entidade no combate à venda casada, como a campanha “Nada além do que preciso”, lançada no ano passado, que orienta os produtores sobre como evitar a prática e disponibiliza um espaço para denúncias anônimas.

A venda casada é uma prática ilícita em que a liberação do crédito rural é vinculada à contratação de outros produtos ou serviços bancários, como títulos de capitalização, consórcio, aplicações, seguros que não estão relacionados à produção, entre outros.

Em julho deste ano, a CNA e a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) lançaram o “Guia sobre Venda Casada” para orientar produtores rurais e instituições financeiras sobre como coibir a venda casada em operações de crédito rural, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor. Clique aqui para ler o guia.

Os integrantes da Comissão de Política Agrícola também discutiram as três propostas de reforma tributária que tramitam no Congresso Nacional. A CNA é a favor de uma reforma que simplifique tributos e não aumente a carga tributária para o setor e para a sociedade.

Assessoria de Comunicação CNA
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Fonte: CNA Brasil

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