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Artigo – Cobertura plástica do solo e irrigação podem reduzir a mão de obra e incrementar a produtividade da mandioca

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Jorge Cesar dos Anjos Antonini, pesquisador da Embrapa Cerrados
Breno Lobato, jornalista da Embrapa Cerrados

Um grande problema enfrentado pelos produtores de mandioca de mesa é o controle de plantas invasoras, especialmente na época de chuvas, quando a presença dessas plantas aumenta de forma significativa. Como ainda não existem herbicidas registrados para folhas largas, específicos para a cultura da mandioca, essas invasoras precisam ser removidas por meio de capina. No período chuvoso, o rebrote dessas plantas é mais intenso, e a demanda por serviço de capina acaba por ser ainda maior, onerando a produção com o custo de mão de obra.

Em casos em que a lavoura não for mantida limpa, nos primeiros 120 dias após o plantio, a presença de plantas daninhas poderá afetar negativamente a produtividade de raízes. Passado esse período, continua importante a manutenção da lavoura no limpo para o melhor aproveitamento de nutrientes, de água e de insolação pela planta, bem como a facilidade de tratos culturais e de colheita.

O uso de cobertura de solo com filme plástico, tecnologia bastante comum em hortaliças e que auxilia na manutenção da umidade, na diminuição da erosão e na melhoria da qualidade biológica do solo, também pode contribuir para o controle de plantas daninhas, levando à diminuição da mão de obra. 

A irrigação é outra tecnologia que vem apresentando resultados satisfatórios para a cultura, mesmo sendo a mandioca reconhecida pela elevada tolerância à seca. Entretanto, poucas pesquisas têm sido desenvolvidas visando à determinação dos efeitos da cobertura do solo, da irrigação e da combinação de ambas, no desenvolvimento da cultura. 

Um estudo conduzido pela Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), buscou justamente determinar a influência da irrigação e da cobertura plástica do solo no desempenho agronômico de um cultivar de mandioca de mesa – o BRS 399, da Embrapa, que apresenta precocidade e elevado desempenho agronômico na região do Distrito Federal. 

O trabalho indica que o uso das tecnologias de irrigação e de cobertura plástica do solo, de forma isolada ou conjunta, proporcionam acréscimos consideráveis à produtividade de raízes e de parte aérea da mandioca. A utilização individual de irrigação e de cobertura plástica do solo proporcionaram aumentos de produtividade de raízes de 55% e 13%, respectivamente. E quando utilizadas em conjunto, a produtividade de raízes aumentou 89% e a da parte aérea 197%.

Os experimentos foram conduzidos por duas safras (2015/2016 e 2016/2017), com o plantio feito em canteiros. Utilizou-se o sistema de irrigação por aspersão convencional e, para a cobertura do solo, filme de plástico opaco de polietileno preto de 50 µm de espessura. Foram estudadas quatro situações de manejo: canteiro sem cobertura plástica e sem irrigação; canteiro com cobertura plástica e sem irrigação; canteiro sem cobertura plástica e com irrigação; e canteiro com cobertura plástica e com irrigação. 

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Antes da colocação do plástico, toda a área foi irrigada, com lâmina de água suficiente para elevar a umidade do solo à capacidade máxima de retenção de água. Após a colocação do plástico, foram abertos orifícios no mesmo, seguindo a recomendação de espaçamento, para o plantio das manivas, na posição vertical. As extremidades inferiores das manivas foram enterradas a 3 cm de profundidade. Para facilitar a penetração da água no solo, foram, também, abertos orifícios no plástico entre as plantas. 

O procedimento para definir o momento e a quantidade de água a aplicar seguiu todas as recomendações técnicas de irrigação da mandioca. Mais informações sobre o sistema de irrigação da cultura estão disponíveis em: http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/167777/1/Cultivo-da-Mandioca-para-Regiao-do-Cerrado.pdf

Durante as duas safras, foram avaliados os seguintes aspectos: produtividade da parte aérea, produtividade de raízes, porcentagem de amido nas raízes e tempo para a cocção. 

Resultados

No estudo, não houve influência da presença de plantas daninhas na produtividade de raízes, uma vez que os tratamentos foram mantidos livres de tais plantas durante todo o ciclo da mandioca. No entanto, nos canteiros com cobertura plástica, não foi necessário o controle de invasoras durante todo o ciclo da cultura.

Houve diferenças significativas entre as médias das duas safras quanto à produtividade de raízes, indicando que apenas a média desse aspecto foi influenciada pelo fator safra (temperaturas, volume de chuvas etc.). A influência do fator safra sobre a produtividade de raízes é comum nas condições do Cerrado do Brasil Central, revelando a forte influência de fatores ambientais.

Porém, o fator safra não influenciou significativamente a média dos valores de produtividade de parte aérea, teor de amido nas raízes e tempo de cozimento das raízes. Uma provável explicação para a inexistência de variações no estudo pode ter por base a estabilidade do cultivar BRS 399 para esses aspectos, uma vez que trabalhos conduzidos na região do Cerrado vêm demonstrando a influência do fator safra sobre eles quando diferentes cultivares são avaliados concomitantemente. 

Já os diferentes manejos do estudo influenciaram significativamente a média da produtividade de raízes, a produtividade de parte aérea e o teor de amido nas raízes. Isso indica que esses aspectos no cultivar BRS 399 são influenciados pelo manejo da irrigação e da cobertura do solo. A irrigação e a cobertura do solo não influenciaram, contudo, o tempo para o cozimento, que em todos os manejos foi inferior a 30 minutos. 

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O tratamento que resultou na maior produtividade média (por safra) de parte aérea foi o com irrigação e cobertura plástica (26.774 kg/ha), média 197% superior à observada no tratamento sem irrigação e sem cobertura plástica; 90% superior à observada no tratamento sem irrigação e com cobertura plástica; e 47% superior à média do tratamento com irrigação e sem cobertura plástica. 

Incrementos significativos na parte aérea da mandioca de mesa devido à irrigação já haviam sido identificados por outros estudos. O aumento na produtividade da parte aérea é importante por estar relacionado ao fornecimento de manivas-sementes para novos plantios e a utilização das ramas e folhas como fonte de proteína na alimentação animal. 

Quanto às médias de produtividade de raízes, o tratamento com melhor desempenho foi novamente aquele com irrigação e cobertura plástica (35.625 kg/ha de média por safra), tendo sido 89% superior à observada no tratamento sem irrigação e sem cobertura plástica; 67% superior à observada no tratamento sem irrigação e com cobertura plástica; e 22% superior à média aferida no tratamento com irrigação e sem cobertura plástica. Por sua vez, o tratamento sem irrigação e com cobertura do solo propiciou ganho de 13% na produtividade de raízes em relação ao tratamento sem irrigação e sem cobertura de solo. 

Cenário diferente foi observado para a porcentagem de amido nas raízes, cuja média no tratamento com irrigação e com plástico foi inferior à observada nos demais tratamentos. Entretanto, no cultivo de mandioca de mesa, isso não é impeditivo para a adoção da tecnologia, uma vez que esse aspecto só seria importante no caso da utilização das raízes para produção de amido ou fécula e se prejudicasse o cozimento e, consequentemente, a qualidade culinária das raízes. 

O estudo demonstra, portanto, que a produtividade de raízes e o peso da parte aérea foram influenciados positivamente pelo manejo da irrigação e pela cobertura do solo, comprovando que ambas tecnologias, acessíveis ao produtor, podem contribuir para o incremento da produtividade da cultura da mandioca de mesa.

Para ler o artigo científico sobre o estudo, acesse: http://journal.unoeste.br/index.php/ca/article/download/3819/3154/17613

Fonte: Embrapa

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Custo de produção de suínos passa dos R$ 7 por quilo vivo

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Os custos de produção de suínos e de frangos de corte tiveram uma elevada alta em abril segundo o estudo mensal publicado pela CIAS, a Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa, que disponibiliza as informações no site embrapa.br/suinos-e-ave/cias.

Em abril, os custos para produzir suínos aumentaram 2,33% em relação a março, fazendo o ICPSuíno, índice criado pela Embrapa para medir a variação nos custos de produção, ultrapassar pela primeira vez os 400 pontos, chegando a 402,40 pontos. No ano, o ICPSuíno já subiu 7,11%, acumulando uma alta de 44,55% nos últimos 12 meses. Com isso, o custo por quilo vivo de suíno produzido em sistema de ciclo completo em Santa Catarina subiu R$ 0,16 entre março e abril, chegando a R$ 7,03. Também é a primeira vez que o custo de produção por quilo de suíno vivo fica acima dos sete reais. A alimentação dos animais impactou em 82,11% os custos totais de produção de suínos. Deste porcentual, o milho participou com 46,88%, o farelo de soja com 25,37%, os núcleos vitamínico-minerais (premix) com 8,3% e o farelo de trigo com 1,55%.

Já o ICPFrango subiu 2,75% em abril na comparação com março, sendo que deste aumento 1,56% foi pintinho de corte e 0,94% a nutrição. No ano de 2021, este índice acumula alta de 14,08% nos custos totais de produção de frangos de corte. Nos últimos 12 meses, a variação é de 39,78%. O custo de produção do quilo do frango de corte vivo no Paraná, produzido em aviário tipo climatizado em pressão positiva, passou dos R$ 4,86 em março para R$ 4,99 em abril. A alimentação impactou 75,29% os custos totais de produção, acompanhado por pintinhos de um dia com 13,58% e mão de obra com 3,82%. A depreciação das instalações e o custo de capital impactaram em 1,93% e 1,60%, respectivamente.

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Os estados de Santa Catarina e Paraná são usados como referência nos cálculos por serem os maiores produtores nacionais de suínos e de frangos de corte, respectivamente.

Aplicativo Custo Fácil – A Embrapa lançou recentemente a nova versão do Custo Fácil. O aplicativo traz novidades para os produtores de frangos de corte e de suínos que têm o aplicativo instalado em seus celulares e tablets. Agora é possível editar e apagar granjas e dados de lotes, além de gerar relatórios dinâmicos das granjas, do usuário e das estatísticas da base de dados no servidor da Embrapa. Além disso, os relatórios permitem separar as despesas dos custos com mão de obra familiar. O aplicativo está disponível de forma gratuita para instalação em dispositivos Android, na Google Play. A nova versão também mostra ao produtor sua posição no ranking e as médias regionais dos principais indicadores econômicos (receita bruta, custo total, lucro líquido e geração de caixa) das granjas que declararam informações por meio do aplicativo ou no portal Custo Fácil na internet.

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Planilha de custos do produtor – Produtores de suínos e de frango de corte integrados podem usar na gestão da granja uma planilha eletrônica feita pela Embrapa. Ela compara a receita obtida com os custos de produção, acompanhando a geração de caixa da granja e o impacto da prestação do financiamento. A planilha ainda analisa o resultado e apresenta uma estimativa da Taxa Interna de Retorno (TIR) do investimento. Ela pode ser baixada no site da CIAS.

Fonte: Embrapa

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